Campo de botões

Engraçado que eu já tinha lido esse livro, mas não tinha prestado atenção nessas linhas que traduzem de fato como realmente somos. A nossa mente é uma rosa, cabe a nós manter o botão fechado ou florescer!  Dizem que não tem graça reler um livro, acho um besteira, pois cada vez que se lê, temos uma percepção diferente das mesmas linhas já lidas conforme o estado emocional que estamos no momento da leitura, entendeu?  Deixa pra lá! Vamos?

Campo de Botões

Dizem que uma história perde algo cada vez que é contada. Se assim for, esta nada perdeu, pois a contarei pela primeira vez.

Trata-se de uma história que para lê-la, algumas pessoas
terão de afastar a descrença. Se isso não estivesse acontecendo comigo, eu me incluiria entre elas.

Muitas não precisarão se esforçar para acreditar, pois já tiveram as mentes abertas, destrancadas por qualquer tipo de chave que as faz acreditar. Estas nasceram assim ou, ainda bebês, quando as mentes assemelham-se a pequenos botões, nutriram-nas até se abrirem, aos poucos, as pétalas e as prepararam para que a própria natureza da vida as alimentasse. Com o cair da chuva e o brilho do sol, elas se mantem em continuo desabrochar; com as mentes assim abertas, passam pelas circunstancias da vida decididas e tolerantes, veem luz na escuridão, possibilidades em becos sem saída, experimentam vitória quando outras expressam fracasso, questionam quando outras aceitam. Apenas menos embotadas, menos cínicas. Com menos probabilidade de entregarem os pontos.

Em outras pessoas, as mentes se abrem mais tarde na vida, pela tragédia ou pelo triunfo. Ambos funcionam como a chave que abre e ergue a tampa daquela  caixa que sabe-tudo e aceitam o desconhecido, dizem adeus ao pragmatismo e às linhas retas.

Por outro lado, existem aquelas cujas mentes não passam de um buquê de talos, dos quais brotam botoes quando elas aprendem uma nova informação – um novo botão pra cada cada novo fato -, mas nunca se abrem, jamais florescem. Trata-se das pessoas de letras maiúsculas e pontos finais, mas nunca de ponto de interrogação e elipses…

Meus pais são dessa espécie de pessoas. o tipo sabe-tudo. O tipo “se não consta de um livro ou não se ouviu falar a respeito em lugar algum antes: não seja ridículo!” São pensadores lineares com a cabeça cheia de botões das mais belas cores, tão bem cuidados e tão deliciosamente perfumados, mas que nunca se abriram, nem se mostraram leves ou delicados o suficientes para abrirem, nem se mostrarem leves ou delicados o suficientes para dançar com a maré; corretos  e rígidos, tão prosaicos que permaneceram botões ate o dia da morte.

[…]

                         
6 O Livro do Amanhã.JPG Copyright © Cecilia Ahern 2010 
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#TerapiadaVidaReal #TatianeSilveira

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